“Navegações e Regressos” (1959) pertence àquela safra em que o poeta, consagrado e feliz, se mostra tão aberto a explorar o mundo (as “navegações”) como a voltar-se para si mesmo (os “regressos”). “Venho do mar, de todos os idiomas”, escreve ele. “Recolhi pensamentos, pedras, flores.” Um cheiro forte de mar parece se desprender das páginas do livro. Pablo Neruda (1904-73) escreve poemas para os amigos, canta as coisas do mar, as andorinhas, Louis Aragon, a cama, a mesa, Lênin, o elefante, o gato